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12.9.26

Um textículo: "ontologia felina"

nem tudo que parece ser

é gato.

pode ser céu, nuvem, telhado, muro, parede, casa.

pode ser foto, desenho, inteligência artificial

máscara, projeção, espelho.

ser metáfora, eufemismo, jogo de palavras, gíria, linguagem.

luz, cor, contorno, preenchimento.

substantivo, adjetivo, número, grau.

cultura, biologia, escultura, poema.

ser um nome.

gênero gata.

 

#poesiabrasileira #poesia #poesinha #poesiazinha #poeminimo #poemenos #texticulo #ontologiafelina #escobarfranelas


 


11.9.26

Um texticulozinho: "duelo de tirinhas"

o super gato luta contra o super cão
enquanto o rato torce pela briga

o super gato luta contra o super rato
enquanto a criança voa com os três

 

#texticulo #poesinha #poesiabrasileiracontemporanea #poeminimos #poeminhas


 

10.9.26

Um texticulozinho: "poesia: modo de usar"

 a raiz quadrada do 64
é infinita, e mesmo deitada
bate continência, nunca dorme

* da série "haicaos"

 

#texticulo #poeminha #poeminimo #poesia #poemeto  


 

8.9.26

Um textículo: "tododia"

todo dia pela manhã
cumprir a sina assassina
andar por 57 anos
pelas mesmas ruas que sempre desconheço
todo dia abraçar esse sol
beijar essa chuva
dançar com esse vento

todo dia uma novidade
nessa monotonia

  
 
 
 #poeminha #poeminimo #tododia #escobarfranelas #poesiazinha


7.9.26

Um texticulo: "preenchimento"

a poeira toma assento

no vagão

a poesia toma conta

em todo canto

nos vãos




#poesia #poesiabrasileira #poesiabrasileiracontemporanea #poesiazinha #preenchimento

6.9.26

Um textículo: "segue indefinidamente"

 a mente segue

indefinida

mente

passo a passo

continuará assim

arará estradas

antes

durante

depois dos seus passos

depois do fim

antes de mim

o tempo, esse delírio em linha reta

esse espaço de oco a oco

vácuos que passam

passaram

passarão

passarinhos




7.7.26

Resenha sobre "Premiado" (Alba Atróz)


 

(Constructo de Alba Atróz – 05 de julho de 2019)

Tenho lido muita coisa, sobre poucas tenho escrito. Nessa semana, eu li Premiado, o novo romance de Escobar Franelas, e resolvi escrever minhas percepções aqui sobre essa obra e sugeri-la ao leitor caroneiro.

Analisando, notei que, numa linguagem simples e concisa, o autor, ao discorrer sobre os medos, angústias, delírios e alucinações de um protagonista que se vê de repente como o novo ganhador da loteria, traz à tona discussões sobre a gatesfobia (*) e, sobretudo, uma importante percepção dos interesses comerciais e materiais atrelados às relações e conflitos sociais que podem afundar o já fragilizado lado humano do indivíduo.

Um bilhete premiado, a princípio, aparece como uma conquista para a liberdade e felicidade da personagem de Escobar, mas, pelo contrário, traz-lhe a inquietação, uma excitação doentia, enredando-lhe numa tenebrosa e angustiante luta interior, cheia de questionamentos e confusões perturbadoras.

Franelas nos mostra um sujeito em estresse, despreparado, receoso e perdido, debatendo-se consigo mesmo. A personagem, ao sentir o peso de ter que romper com sua classe social, acaba perdendo a serenidade necessária para lidar com seus problemas cotidianos, dando vasão a comportamentos esquisitos, gerando ações inadequadas ao padrão de seu grupo social, criando assim entraves que vão alimentando crescentes conflitos internos e externos.

A obra de Escobar Franelas vai nos mostrando que, à medida que a personagem vai se afogando em tais confusos gatilhos emocionais, acentuando seus dramas já preexistentes, que envolvem instinto de sobrevivência, sexo, amor familiar, simplicidade e luxo, pobreza e riqueza, o protagonista vê subtraída uma rara liberdade, que um dia achou não ter, e passa a esconder-se e enclausurar-se, caindo e recaindo em angustiantes dicotomias, flutuando entre a sanidade e loucura, extremos sentimentos que o travam, o engessam, tendo que aderir à mentiras e disfarces, tornando-se incapaz de voltar a um estado social considerado pelo seu meio de convivência como normal.

Eis uma obra rápida de ler, mas pode suscitar muitas reflexões posteriores, descortinando muita coisa além, para o depois; já que nos desafia a buscar compreender com mais profundidade o ser humano, a sociedade, seus estranhos atos e conflitos, vistos, muitas vezes, pelo desavisado senso comum como absurdos praticados. Ótima leitura.

(*) É o nome dado às pessoas que sofrem de distúrbios advindos do medo irracional e apavorante de ficarem ricas, bem como das mudanças que a riqueza pode trazer em suas vidas. O nome dessa doença veio em homenagem ao magnata e empresário Bill Gates, um dos fundadores da empresa de programas para computadores Microsoft, e que sempre tem mantido o status de homem mais rico do mundo.