Bar do Cantídio, oito e meia da manhã. Cena: um homem toma café e mastiga um pão de queijo em pé, junto ao balcão. Outro, mais jovem, está sentado em uma mesinha de lata, atento ao celular.
Entra um velhinho.
"Bom dia, Cantídio! Choveu essa noite, hein?"
"Bom dia, Garnizé! Ôxi, e como! Molhou até pensamento... vai querer um café?"
"Alagou tudo lá embaixo. Me dá um. Não não não! Melhor não, hômi. Comi um trem ontem que me deixou meio empachado até agora. Melhor uma latinha. Aliás, pensando bem, dá uma amargosa, pra rebater esse engrulho aqui."
"Fiquei sabendo. Branca? Ou amarela?"
"A água ainda nem baixou. A Branca perdeu tudo! Dá uma amarelinha."

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