21.7.18
19.7.18
Um textículo: "parto"
em algum lugar
aqui
poemas poetam-se
alguns em silêncio
outros, com estardalhaço
em algum tempo
agora
projetos de poema
alguns vindo
outros, indo
outroutros, estanques
todo poema contém poetas
poetas não contêm o poema
18.7.18
Um textículo: "falácias do amor"
- adoro esse tempo dedicado a mim...
- mas são apenas 25 horas por dia,
se bem que ainda tem aquelas
em que durmo
(mas sempre sonho contigo, tá?)
- nossa! desse jeito gosto de você um oceano.
- e eu uma galáxia.
17.7.18
15.7.18
13.7.18
9.7.18
Um textículo: "prosopopeia"
a minha alma entra na sua
no trânsito entre as almas
inexiste a contramão
ciúme ou possessão
há entre elas uma transparência
a incorporação de ritmos, de imagens
signos e miragens que trafegam
sem colidir
a minha alma entra na sua
sem sair daqui
de qualquer lugar
a sua alma entra na minha
mesmo sem ser
sendo
somos
7.7.18
5.7.18
Um textículo: "solstício de um verão eterno"
a poesia acorda, levanta, vai para a sala
encontra o homem que a nota
mas faz que não
e apressado, sai pra trabalhar.
a poesia não se abala
roda a casa, vai pra rua,
acompanha seu homem
cumprimenta outras pessoas
pinta pneus de vermelho
e as vozes de música
e o sangue transparente
cata pedras na rua
e faz colar de pétalas
tranca a sisudez na gaiola
leva a zebra pra passear
a luz da poesia ofusca o maucaratismo da inveja
e faz a sombra sambar
as cores de seu leque são sinfonia
abanando bach e beethoven
no arco-íris sem fim
o circunspecto crente que afirma
que só a poesia salva
goza o gosto da prosa
com sancho, macbeth ou borges
com cecília, virginia, macabéa
com ou sem rosa
já o cético em dúvida
mesmo com a prova dos nove
irá ao inferno de dante
para depois ascender
ao céu de tantos tons
dos diamantes dos beatles
alguns versos descansam
nos vãos do esquecimento
contudo, contra tudo
a poesia nunca dorme
mesmo entre mortos
3.7.18
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