Pesquisar este blog

10.8.20

Um textículo: "a caçadora"

 

Era uma vez uma linda garotinha de gorro vermelho que comeu a vovozinha que matara um lobo que tinha traçado um caçador.

Morreu de indigestão, não sabemos se pela refeição ou pelas sobremesas.


9.8.20

Um textículo: "um spa para a sala"

 

Havia muita coisa dentro da sala.

Muito pouca coisa se aproveitava naquela sala.

Pouca coisa foi doada tempos depois. 

Hoje um jogo de muita sombra e pouca luz relata que tem uma sala obesa, estriada, cansada e relaxada naquela casa.


8.8.20

Um textículo: "à sombra da samambaia"

 

Entrou.

Estava afoita, sequer virou-se para me cumprimentar. Jogou o corpo contra a cadeira, que até gemeu, mas resistiu. Fiz sombra, nuvens desfilavam ao sol. Levantou-se. Partiu de novo. Contra todos.

Saiu.

Fiquei para cuidar de sua memória.


7.8.20

Um textículo: "sobre o que nos diviniza"

 

Você gosta de carne crua? - balançou os quadris e abaixou-se. Sorria com desenvoltura.

Como? - meu rosto queimava.

Você prefere crua?... Ou cozida? - gargalhou, o rosto expandindo-se maroto e solto.

Tentei rir também. Nada. Ela impacientou-se com discrição, abriu a porta e entrou no carro. Bafejou nas mãos.

Está uma friaca danada lá fora, sabia? - engraçado como ela continuava sorrindo ao falar. - Então?...

Então... O quê? - gaguejei.

Então... - ela também ficou perdida mas recompôs-se rapidamente. - Então, o que vamos fazer, benzinho?

Pela primeira vez, não gostei de estar ali. Perdi a timidez.

Desculpa, é minha primeira vez assim... Aqui... Não sei bem o que fazer. - sorri, buscando aquiescência. Ela não retribuiu. - Entende?

É, acho que entendo. - ela pareceu-me desanimada. Olhou para longe, os olhos escuros palpitando o silêncio. Já não sorria mais, mas o desenho da boca era o mesmo, bonito.

Entrevei-me na timidez, tudo de novo! Cerrei as mãos, impaciente, odiando estar ali. Ela socorreu-me numa nova tentativa:

Já sei o que você vai fazer. Vai me deixar aqui, numa boa, pegar o carro, dar uma volta no quarteirão. Se sentir confiança, você volta, nem que for só pra gente tomar um drinque. Somos excelentes psicólogas, sabia? - sorriu, esfregando sua gentileza na minha cara.

Pensei “isso é uma tremenda de uma insensatez”, balançando a cabeça que sim.

Tá certo. - disse sem certeza e sem sutileza.

Ela desceu do carro. Como eu não saía do lugar, exasperou-se:

Vamos, meu bem, se você tiver afim, vai voltar. Mas, anda, vai!...

Saí, quase cantando pneus. E nunca mais voltei.

Melhor, quando voltei, dois minutos depois, ela não estava mais lá.

6.8.20

Um textículo: desentrevista


Pode explicar agora:
Bem, foi mais ou menos o seguinte. Eu estava descendo as escadas do metrô, com muita pressa, mas muita pressa mesmo. Trabalho do outro lado da cidade, estava atrasado. Então, quando saltei do trem e comecei a descida na escada rolante, a mulher me atrapalhou. Ela estava cheia de sacolas, uma bolsa enorme, e eu tropiquei nela. Nada demais, mas ela atrapalhou-se no passo e esbarrou num homem que ia na minha frente. Coitado! Ele acabou tropeçando no próprio pé e segurou no corrimão. Acontece que o rapazinho que vinha logo atrás, ao meu lado, não parou a tempo, e caiu por cima dele. Daí, né, foi aquele bafafá. Um homem que ia na frente virou-se e foi atropelado pelo cara que caía. A mulher que tava mais à frente só desviou, mas o outro senhor tentou acudir e foi junto. Ele tonteou e fez a besteira de segurar no paletó de um outro cidadão, derrubando dois de uma vez e ainda dando uma cotovelada num outro. Foi um deus-nos-acuda. Eu? Eu consegui me equilibrar com uma dificuldade que só vendo! Então desci, devagarinho, desviando. Ainda ajudei a mulher com as sacolas. Elas estavam pesadas. Graças a Deus não aconteceu nada demais.

5.8.20

Sobre a morte de Escobar Franelas


Escobar Franelas está morto. E fui eu que o matei. 
Caído no asfalto, um filete de sangue escorre a partir de suas costas, cria uma pequena poça em volta do pescoço e escorre enfim para a sarjeta. O guarda-chuva ainda está cravado na garganta, junto ao pomo-de-adão. Seus olhos nada veem, um deles também perfurado pela ponta do guarda-chuva e o outro enegrecido pelo sangue endurecido que crestou todo o seu rosto. Sua mão estendida para o alto indica uma tentativa de dialogar no momento culminante da morte. O que ele queria? Conversar? Convencer? Fugir? Proteger-se? Nada disso foi possível. A minha ira foi terrível e sequer me lembro do que pensei naqueles momentos em que culminei todos os meus atos, minha revolta, vingança, dor e ódio. Escobar Franelas, definitivamente, está morto. E eu não me arrependo. De nada.

Serve mais um cafezinho? Faz favor... Obrigado!

Me dá um cigarro? Tá um pouco frio aqui. Obrigado.

Foi assim...

Meu nome? Meu nome é Oponente. Claro! Sim senhor. Entendi, tá certo sim senhor. Meu nome é outro, Oponente é só nome artístico. Sim, sim, entendi. Meu nome é Jr.

Posso ir embora?

4.8.20

Clubes brasileiros de futebol (time 6)


Bar do Nilton – Futebol Clube

Escalação: 1) Dartanhã, 2) Visual, 3) Liminha, 4) Cósmão, 5) Punkinho, 6) Boi, 7) Cadelo, 8) Capeto, 9) Cabidela, 10) Da Hora, 11) Maluquinho.

Reservas: 12) Lôco, 13) Leco, 14) Branco, 15) Pirombeta, 16) Frei.

Técnico: Bangu

3.8.20

Clubes brasileiros de futebol (time 5)


Kabra Maxu Futebol Clube

Escalação: 1) Charles Bronson, 2) Mussum, 3) Maguila, 4) Raul Seixas, 5) BA, 6) Édy Murf, 7) John Lennon, 8) Magáiver, 9) Rita Lee, 10) Magnum, 11) Tim Maia

Reservas: 12) Sílvio Santos, 13) Hommer Simpson, 14) Menudo, 15) Bob Marley, 16) Gil Gomes

Técnico: Amado Batista

2.8.20

Clubes brasileiros de futebol (time 4)


Grêmio Esportivo Tremor de Terra – Futebol e Rap

Escalação: 1) Tranca-Rua, 2) Pagapau, 3) Tijuco Preto, 4) Seu Santo, 5) Japa do Pastel, 6) Cata-Piolho, 7) Pé Inchado, 8) 171, 9) Seu Jura, 10) Mané Português, 11) Pai-Véio.

Reservas: 12) Arroz-de-Festa, 13) Zé Pilintra, 14) Natimorto, 15) Zé Peixeiro, 16) Ju da Farmácia.

Técnico: Micose

1.8.20

Clubes brasileiros de futebol (time 3)


Equipinga – Futebol Alegria e Samba – Vila Dindinha

Escalação: 1) Aranha, 2) Xavasca, 3) Besta, 4) Biscate, 5) Biscoito, 6) Pé-Rapado, 7) Destino, 8) Pipiu, 9) Pirulito, 10) Picolé, 11) Presunto.

Reservas: 12) Pomada, 13) Buça, 14) Mortadela, 15) Perfume, 16) Quá-quá.

Técnico: Desidéia