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26.10.06

enfim, uma minha

"SNIF"

talvez aquele poster na parede
diga mais que sua música
talvez a foto na gaveta
fale mais que a memória
talvez aquele sobretudo
aquela rosa murcha no vaso

mas você insiste nesse filme
do ano passado
nessas roupas amassadas
nesses locutor com voz
"morango e chocolate"

essa, inédita

23.10.06

ULISSES TAVARES

Poema lido e sampleado de uma mostra que tá rolando na "Casa das Rosas"(Av. Paulista, 37("II"), Sampa, SP)
"olhe de novo:
não existem brancos.
não existem amarelos
não existem negros.
Somos todos arco-íris"

ULISSES TAVARES em, "Caindo na Real", Editora Brasiliense, SP, 1984

EM TEMPO: estou lendo "Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas", de Robert Pirsig, 잺13a잺. edição, Editora Paz e Terra, tradução de Celina CArdim Cavalcanti. O subtítulo dessa obra(soberba! - não há outro adjetivo! E olha que nem terminei a leitura, mas posso antever suas linhas finais - E NÃO SERÁ NADA DO QUE ESTOU PREVENDO!), é "Uma Investigação Sobre Valores". Por aí se vê que é redundância tentar explicar êxtases.

5.10.06

foto

http://www.recantodasletras.com.br/autores/efranelas1

AS CORES

"Foi um escândalo
quando o preto entrou no arco-íris

O branco
exaltou as diferenças
ao que o vermelho se irritou
e o amarelo disse:
- não tenho nada a ver com isso.

O verde vindo de outro planeta
ficou
sem entender o assunto.

CUTI, em "Cadernos Negros 9", SP, 1986

gabeira

um dia depois de ver o gabeira ser reeleito como deputado federal pelo rio de janeiro com uma votação pra lá de expressiva(quase 300.000 mil votos), encontrei o livro dele "entradas e bandeiras", com uma capinha bem simpática, num sebo no bairro de sta. cecília, sampa, capital. paguei um real(sic).
estou lendo. é bem maneiro e descontraído. às vezes acho ele um pouco pedante e didático, mas mesmo assim compensa viajar no seu universo singular, com um pensamento devotado ao coletivo e às minorias. já tinha lido dele apenas o livro "o crepúsculo do macho", além dos artigos na "folha" e em outros periódicos. penetrar no seu mundo interior é uma viagem muito interessante, pois permite vislumbrar caminhos e vãos que podem estar bloqueados pelas "visões" um tanto cotidianas das coisas. permitir-se à companhia dele numa leitura é apreender e "aprender".
por ora, é bom que se diga que "entradas e bandeiras" é uma reflexão sobre o seu retorno ao brasil, depois do exílio na europa. fica viva a impertinência de sua memória, aliada ao debate sobre questões que já lhe eram relevantes no início da década de 80, como o preconceito racial, a discussão da homossexualidade, a questão ecológica e o feminismo.