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29.11.07


Teatro Municipal de São Paulo, terça-feira, 27 de novembro, às 08:28 h. Manhã fria!

26.11.07



Leiam também www.leialivro.com.br.

Literatura feita por quem lê!

Filme a 2 - eu e a musa - com direção seguríssima de Hector Babenco sobre um elenco maravilhoso!
Nota: última participação de Paulo Autran (saudades!).

24.11.07

Mais que 1000 palavras


"meu filho João, 4 anos, apreendendo a manobrar ludicamente o "rato" em cima da mesa"

Prêmio Barueri de Literatura

Segunda-feira, a partir das 19h., vamos lá, prestigiar a entrega dos prêmios aos ganhadores do 4º Prêmio Barueri de Literatura, no Teatro Municipal.
Participei como poeta e contista "não residente", mas não fui contemplado.
Valeu! Esse foi mais um duro exercício para o amanhã que a vida ensinou: auto-lapidação. Vou reler meus escritos, rearranjar minhas idéias no papel e reaprender a aprender.
...
Daqui, ouvindo Teenage Fan Club e Belchior nessa noite lúdica de sábado, mando um alô.
Agora vou de "Escritura e Nomadismo", de (e com) Paul Zumthor. Depois, cama.
Há braços,

22.11.07

Conto Erótico - "Viés"

Foi por volta da meia-noite que o telefone tocou. Eu estava no meio de um sono cansado, mas tranqüilo. Ouvi a campainha ressoar ao longe, em ruídos breves, que chegavam aos tímpanos pelo efeito da gradação. Foi aí que acordei. Peguei no gancho instintivamente, num sobressalto:
"Alô?"
"Por favor, o Ministro está?"
Despertei totalmente:
"Quem gostaria?"
"Eu só queria saber se ele está."
Tentei raciocinar. Estava difícil. Ao meu lado, um ressonar lento e suave contrastavam com o meu pavor, com a luz débil da lua, que incidia sobre a cortina:
"O Ministro está ou não está?"
"É... eu..."
"Ele está ou?..."
"Não!" – e bati o telefone severamente. Fiquei alguns minutos esperando o novo toque, tentando imaginar quem estaria procurando o Ministro ali, àquela hora.
Um gato miou. Levantei e adivinhei-o atrás das cortinas, sobre o muro lá fora. Seu dorso esguio sobressaía-se contra as folhas que tremulavam sob a luz opaca da lua. Tive vontade de fumar. Ameacei levantar. Ele se mexeu ao meu lado:
"Hã?!..."
"Dorme, meu bem, dorme."
Ajeitei a camisola que embaralhava-se debaixo do corpo. O corpo dele exalava um cheiro nauseante de suor e alfazema. Enfim levantei-me devagar e fui para a janela.
O telefone não tocava e eu não conseguia pensar em nada. O gato saltou do muro ao chão, caminhou pelo pátio e saltou no parapeito da janela:
"Miau!"
"Miau pra você também!" – berrei baixinho.
Acho que ele percebeu minha insolência e saltou de novo para o chão. Perambulou um pouco na sombra do muro e acabou sumindo entre as árvores que circundam o jardim.
O telefone não tocava e eu me exasperava com isso. Soprava uma brisa morna contra a janela e a lua derramava raios precisos e cheios de luz sobre meu corpo. Abri a janela mais um pouco. Não conseguia pensar em mais nada. Dois carros passaram ziguezagueando na estrada. Um deles tinha um farol queimado e de longe pensei que fosse uma moto. O cigarro acabou. O telefone não tocava. Joguei a bituca no chão, cerrei as cortinas e voltei para a cama. Tinha uma garrafa de champanhe pela metade em cima do criado-mudo. Bebi tudo no gargalo.
Sentei na cama e fiquei um longo tempo alisando os cabelo dele. Gostava disso, talvez porque soubesse que ele gostava disso. Gostava daquele ressonar sereno depois do sexo. Gostava... oras, gostava de um monte de coisas, mas a porra do telefone não tocava. Olhei seu rosto na penumbra, aqueles dentes cerrados em contrição. Era nervoso até dormindo. Por que será, hein? Observei-o longamente. Não conseguia pensar em nada mais. Diziam-no feio mas eu discordava. Era, antes de tudo, um atleta viril a serviço do sexo. Disposto, forte e, acima de tudo, completo. Eu não tinha do que reclamar. Ouvia amigas de manicure e cabeleireiro reclamar dos seus pares, justamente elas, casadas com dândis que orvalhavam beleza por todos os poros. Talvez fosse a pertinência do lugar, típico para alguma ficção ou divagação sobre a condição de humanas. Pois todas - ou perto disso -, exercitavam-se sobre a alquimia da reclamação. Eu, no meu round, asseverava com a cabeça, mas não reclamava. Não tinha motivos para isso. Tinha tudo num só homem. E isso me bastava para guardar silêncio sobre os segredos de nosso sexo e nosso amor único.
Então ele acordou. Primeiro se mexeu um pouco, virou de bruços, depois para o meu lado e, enfim abriu um pouco os olhos:
"Que horas são?"
"Meia-noite e vinte e cinco."
Mexeu-se um pouco mais, puxou o cobertor até os ombros:
"Tô com frio." – olhou-me nos olhos – "Você não tá?"
"Não."
"Vamos embora?"
"Vamos."
Ameaçou levantar-se, mas acho que o frio o impedia. Sorriu cândido:
"É, acho que tá na hora mesmo."
"É..."
"Antes vem cá, vem... Cê deve tar com frio também, tá sem roupa nenhuma."
"Não muito." – e fui cedendo devagar, deitando-me, medindo tempo, espaço e palavras – "Deputado?"
"Sim?"
"Quem é que chama você de Ministro?"
Ele premonizou. Pude adivinhar que afogueava-se todo no rosto:
"Minha mulher. Por quê?"
"É que... que uma voz feminina ligou aqui perguntando-me..." – e tomei um tapa na cara.
"Ah, seu viado, por que não me avisou antes?"

17.11.07

PARA PENSAR

Por que será que todo país de origem católica é sempre mais atrasado em índices de IDH?

3.11.07

Ensaio Sobre a Dependência

Já repararam como pululam novas igrejas, novos bares, e novas farmácias? Estranho, né?
Pensando no assunto sem muito catequismo, cheguei à conclusão: é a sempiterna dependência do Homem, seja no espectro individual, ou no seu coletivismo social. O Homem é um ser cosmético, já repararam? Vive sempre às turras com sua imagem, quando ela não corresponde à imagem que ele mesmo quer ver de(em) si. Difícil? Hermético? Nem tanto...
Vejamos; mas antes, volto a ponderar: essa não é uma pesquisa sistemática! Repare bem, no entanto, nesse detalhe: pra que serve uma igreja? Bimba! Pra sanear, limpar, melhorar a aparência, enfim, apresentar uma imagem melhor do Homem diante do Mistério Divino(Deus, numa interpretação cristã e ocidental).
Para que nos servimos da droga, da transcedência do sentido, do aliteração do comportamento? Oras, porque simplesmente é esse o instrumento que melhor traduz nossa insignificância humana. Precisamos do álcool(ou de outras drogas), para substancializar aquilo que não nos é palpável, diante do desconhecido. Necessitamos diariamente de doses cavalares de elementos que desencadeiem uma reação diante de nossas fraquezas. Como não podemos administrar a timidez, iludimos a personalidade, para nos apropriarmos de uma iamgem que não é a nossa, e assim vendermos os nossos peixes. Quantas vezes você já ouviu falar de um empresário, um vendedor, um consultor, que, no momento de apresentar seu produto ou sua palestra, não toma sua dosezinha qualquer para poder ficar mais "à vontade"? Quando você chega numa festa, qual é o elemento da socialização; o canapé? "Claro que não!" É uísque, ou vinho, ou cerveja. Enquanto você espera sua mulher na hora do parto, o que faz? Fuma, não é? Então...
E a farmácia? As drogarias(note bem, "droga" + "ria"), vendem a ilusão para o corpo externo, e o comestismo para a doença interna. Afinal, o que é o remédio, senão o disfarce, o personagem, a representação; diante do qual a doença vai ficar aquartelada até encontrar a porta aberta para atacar novamente?
Pretendo voltar a esse assunto.
Hoje não! Comecei a escrever a esmo e fiquei desembestado diante da tela.

Em Itu

Estou em Itu, acho que uns 100 km. distante de Sampa. Terra plana, lugar bonito, boas opções de lazer, entretenimento, enriquecimento cultural. Falta cinemas com melhores opções, falta um bom palco para o Teatro, falta mais espaço(e tempo) para a música de câmara, o jazz,o chorinho, a bossa-nova. Falta espaços para o samba(samba, viu? Não aquele pagode requentado em teclado). Sobram espaços para "forrozeiros dos teclados", diversos, aos montes, demais. Sobram espaços para andar de bicicleta, charrete, cavalo. Mas não falta carro.
Que herança tosca é essa dos estadunidenses? Parece doença crônica dos paulistanos. Se o vizinho da esquerda vai à padaria, tome carro! Se o da direita vai ao campo do Ituano, a menos de 1 km., vai de carro! Se a outra da frente que ir na Floriano Peixoto, centrão velho(lindo de morrer com suas praças e casarões), se sente na obrigação de ir de carro. Uma chateação.
Pois Itu é uma cidade plana, retilínea. Já vim de Itapevi até aqui, eu e a musa, a pé, menos de dois dias de viagem, curtindo a paisagem, encontrando sujeira adoidado na borda das pistas(dá-lhe, McDonalds! Dá-lhe, Coca-Cola!); uma paradinha estratégica no Hotel Tucumán(km 72 da Castelo - pessoal bacana lá, hein?!), e chegamos inteiraços na casa da vó, no colo da vó. Meu guri, hoje com 12 anos, sempre que vem aqui traz a bicicleta. E tome Estrada do Parque, Parque do Varvito, adjacências do Majestoso da Vila Nova, e tantos outros lugares. Eu, ainda em condições física, faço o mesmo. Aliás, vou até combinar com ele. Qualquer feriado desses, vamos vir os dois, de São Paulo até aqui, de bike. E vou postar bastante fotos. Se vir por dentro, então, benzadeus!, não quero nem pensar na fruição: curtindo Santana do Parnaíba, Cabreúva, a Estrada do Parque, o Tietê. Vocês vão ver! Nós todos vamos ver.
Esse o meu desabafo contra a hóstia da gasolina vs. meu pulmão poético.