Pesquisar este blog

27.11.08

CEM idéias

Aqui estou eu, diante do micro, com trocentas idéias para uma crônica que não vingam diante da tela em branco. Há poucas horas atrás, no meio de uma madrugada insone, rascunhei umas cinco ou seis no papel, algumas até evoluí para um início de texto, outras ficaram a ver navios apenas no argumento, e outras nem isso: ficaram apenas na sugestão de um título, por exemplo.


Que monstro é esse, a dificuldade de escrever? A tela em branco do micro é um desafio irritante. Engraçado que às vezes me pego pensando que a folha em branco não representava esse mesmo medo diante do abismo.

Que foi, será que a intermitências dos pixels gera uma confusão tamanha que se torna difícil encadear o que

se pensa?

O será um bloqueio específico meu?


14.11.08

Esqueçam o que escrevi...

My god, o que foi que fiz? Relendo este último texto aqui postado, tive ânsias. Que coisa chinfrim sem cabeça  foi essa? De onde veio esse "recondicionamento" do meu pensar? De onde partiu a ordem para escrever tamanhas superficialidades? Quando foi que me dei o direito de escrever tão mal? Acabou a bateria? Melhor seria se tivesse ficado em silêncio. Mas não fiquei.

Escrevi. Já faz bem uns 10 dias que estou tentado a exclui-lo. Mas isso seria um abrandamento do meu erro. Resolvi deixá-lo à crítica reta, à retidão de análise de tantos quantos quiserem. Só para me lembrar de que a gente nunca pode deixar de repensar cada linha que escreve, para não cometer bobeira e ficar em impedimento assim... tão de bobeira.

O fato é que as agora já pretéritas eleição nos stêitis e fórmula (vruuuu)um ficaram tão à tona naquela semana que pareceu tão eterna, que me senti sequestrado pela idéia de evoluir e/ou ao menos desenvolver um pouco mais esse assunto. Me entreguei de corpo e alma a uma nova utopia que nos brindou momentaneamente, num vértice não previsto pela história. E a história tem disso: às vezes colhe-se pepitas no óbvio.

Mas temos que cuidar para que nossas análises não fiquem rarefeitas. Pois basta-nos essa superficialização estéril do pensamento daqueles que deveriam cuidar do nosso estado, do nosso estudo, nossa cultura, segurança e afins. Quando perdemos o cuidado da análise fria e isenta, muitas vezes damos margem para que sejamos mal interpretados, ou pior!, para que os críticos(sempre há, e vários), não pulem na nossa goela para nos introjetar uma mesma rarefação de apontamenos. A superação dos fatos se dá somente com a evolução. Analistas já observaram que todo assentamento de uma revolução é um novo espezinhamento das mesmas idéias anteriores, agora travestidas de "revolucionárias", ou nova onda, um modismo tão aberrante quanto qualquer estado anterior. O stalinismo, o fascismo e revolução cubana são alguns exemplos recentes disso que estou a asseverar.

Pois bem, o assunto é a eleição de Obama e o campeonato de Hamilton. Um visão crítica do (bom) momento que o mundo vive hoje exige que se projete para amanhã os ganhos de agora. A dúvida mais pertinente é "vão deixar um governar", ou vão patrocinar a instabilidade, para tentar uma tentativa de golpe na Venezulea anos atrás. ou tentar desestabilizar como têm feito como Evo Morales na Bolívia?
Não que esteja defendendo estados de excessão já vislumbrados no governo Chávez. Mesmo com seus achaques é possível perceber que ele talvez não seja tão louco assim, retrocedeu a um estado de impertinência infantil quando foi acuado pelos majors que controlam toda a vida latina, asiática, afrincana e tant'outros.

5.11.08

Sincronismo Histórico

Ponto final: o dia 4 de novembro de 2008 é um dia histórico para o entendimento do mundo enquanto geografia global. Barack Hussein Obama, 47 anos, havaiano descendentes de africanos, mestiço(como ele se proclama), é eleito o 44º presidente dos Estados Unidos da América. Há exatos três dias atrás - já estamos agora no dia 5 - um outro negro, o inglês Lewis Hamilton se tornou campeão mundial de Fórmula 1.
Estamos diante daquilo que os filósofos citam como o "imponderável" na construção da estrada humana. Por uma dessas artimanhas que o destino nos impõe, fatos novos desfilam num recurso de fastforward na tela de nossos dias. O fato de dois negros cometerem dois feitos até então inéditos na história, nos colocam diante desde já diante de um vértice cronológico. Mas, e o mundo? Está preparado para lidar com essas situações? Desconfio que não.

Os dados nos dizem que houve um conluio de situações anômalas para que Hamilton se tornasse o primeiro negro a pilotar na elite dos carros de corrida. Foi preciso muito(muitíssimo) talento, o apoio incondicional da família, a aposta metódica de um chefe cujo currículo de descobridor de talentos é irretocável - Ron Denis - e uma equipe fortíssima e que desenvolve um trabalho de relógio suíço na mecânica de seus carros. Confesso anarquicamente que gosto da figura jovial e simpática do Massa, o brasileiro que melhor nos representa na categoria até agora. Mas perder a oportunidade de ver uma radicalização na história, isso eu não queria de maneira alguma. Então, depois de mais de 15 anos afastado "das pistas", eis que no domingo me vi dirigindo ao lado do inglês impetuoso, em cada curva do sinuoso autódromo de Interlagos. Foi maravilhoso, vibrante, chato e muito denso torcer por uma vitória do brasileiro ao mesmo tempo que queria o campeonato para Hamilton. Tudo bem, isso foi resolvido faltando menos de 500 metros para o fim. E tivemos um final eletrizante, não previsto em qualquer roteiro roliudiano. Ficou chato ver meus dois filhos tristes só porque o brasileiro perdeu. Pior, cruzou a linha de chegada vencendo a corrida e o campeonato, apenas não contava com a falibilidade da chuva, que antes provocara a vitória e agora a tirava, com a anuência do almeão Timo Block, que teve que "tirar o pé" para não rodar na pista, já que tinha pneus gastos e impróprios.

Mais anômalos foram os fatos que permitiram que Obama fosse eleito presidente no dia de ontem. Ele representa o oposto de todo conteúdo que sabemos fazer parte da orientação política dos estadunidenses. Por incrível que pareça, o fator cor é emblemático mas, velado na penumbra, diz mais em seu silêncio sepulcral do que outros detalhes da biografia do eleito: tem simpatias para a discussão sobre as desconfortantes questões que abordam a união civil entre pessoas do mesmo sexo e o aborto; quer o fim da guerra do Iraque e essa insânia cega contra o terror; demonstrou aversão aos ritos maniqueístas da cristandade que dirige todo discurso e todo ato de grande parcela da população, que quer palavras de ordens e atos de bravura e coragem; e, principalmente, não é apenas militante negro. Fosse isso, teria sucumbido às intempéries diárias da construção de sua personalidade política. A vida já nos ensinou muito sobre até onde vão aqueles que não dominam a arte global de exercer a política.

Quer dizer, dois figuras que correm na contramão da história repentinamente e por motivos alhures entram em sincronicidade e provocam comoção e utopia num momento em que se respira crise e desencanto financeiro. Verdade reconhecida aqui, foram os ventos tempestuosos dos desencontros financeiros ao redor do globo que permitiram a Obama entrar para a história e não enfurnar fantasias. Caso o mundo continuasse em sua marcha lenta progressiva, provavelmente teria o mesmo encontro com a parede de vidro que impediu o ingresso de Gabeira há poucos dias atrás no Rio de Janeiro.

1.11.08

Achado não é roubado (?) (!):


(Acrílico sobre tela, sem título, 50x70, encontrado numa caçamba de lixo, no bairro da Saúde, SP, capital, em meados de 2001. Desde então exibe-se na sala de casa)
EF

25.10.08

Como Entender os Filhos - Parte 2

Continuo sem entender os filhos. E sem entender o mundo, e - principalmente - sem saber o que fazer com a minha crise criativa. Criativa?, oras bolas!, vá catar coquinhos, Escobar, pois quem falou que você é criativo?

É isso o que acontecesse quando bate aquele branco em sua mente, e você se pega sem saber o que escrever. Tampouco, como escrever. Estou tão mal na/da ciência labiríntica da digitação, que ouço vozes ao meu redor dizendo com todas as letras que sou melhor jogador de biboquê que poeta. Logo eu, que sempre fui péssimo em jogar peteca,peão, bolinha de gude, pipa, handebol, basquete, vôlei, aquaplay, TGA, Pac-Man, dominó, xadrez, dama, pega-vareta e palitinho. Futebol então... Então me diga, meu caro, por que é que esse diabinho sentou-se aqui em meu ombro e vem me contar asneiras, querendo me assegurar que sou peladeiro, melhor que a caneta e o mouse às mãos? Quem me garante que sou mesmo um atleta em pleno vigor juvenil de seus 40 anos, quando desde os 13 o que melhor pratico são os versinhos que ofertava de montão às namoradas?

Essa não, Mané... tão querendo me enganar, me deixar confuso, achando que o melhor que posso ofertar ao mundo é minha retidão de caráter, minha humildade às vezes indulgente demais, meus assomros de civilidade que beiram a inocência política, e minha atitude servil, a serviço da família, da pátria, do patrão. Mas não, quero voltar a ser punk, grunge, moleque e adolescente de novo. Por que não? Por que aos mais velhos não é dado o direito de errar inclusive no trato com seus filhos que estão querendo imitar? Essa não, Mané, que não vou dar o braço a torcer. Ninguém vai me convencer de quem sou bom de bola, que sou de cama, que sou bom de letra, que sou bonde por onde trafegam sonhos os mais diversos, inéditos e instáveis que se possa imaginar.

Anjo ou diabo que está sentado no meu ombro, por favor, cale-se. Deixe-me ao menos uma vez duvidar ou acreditar por mim mesmo. Essa de você ficar bafejando na minha orelha que esse negócio de escrever é coisa de Drummond, Machado, Graciliano, Clarice e Ubaldo, poxa vida, tá impedindo-me de ser pelo menos um reles escobarzinho, com direito a duas linhas de rodapé de um jornaleco mensal lá na conchichina.

Pare de mentir pra mim, por favor! Pare de me provocar, já que Pelé eu não serei mesmo. Nem pra Tonhão ou Dinei eu tenho jeito. Então, deixe-me a sós com esses brancos de memória, ou esses excessos de idéias. Uma hora vou colocar tudo no liquidificador e quem sabe daí não saia um bolo. Enquanto isso, vou treinando as letras, pois idade pra isso eu ainda tenho.

16.10.08

Como Entender os Filhos

Não sabia o que escrever mas sabia que tinha que escrever. Ficar muitos dias sem aparecer na cara da net pode parecer falta de responsabilidade, talento mal aproveitado, conversa mole de botequim, sei lá!

O fato é que estava procurando um fato novo. Dizem que todo cronista passa por essa dor-de-barriga quase sempre, a falta de assunto. Diria, aliás, o contrário: excesso de assunto. Pois está aí a crise mundial do dinheiro atrapalhando os planos de Lula de nadar no mar negro e sem ondas do pré-sal; tem o caso sem fim do Iraque, um novo Vietnã inventado pelo bush (perdoem-me, mas perdi o respeito por ele de tal forma, que escrever o nome dele com maiúscula é dar um deferimento que aquele cidadão (cidadão?!) não merece). Temos litros e litros de bate-papo sobre essa guerra chinfrinzinha entre o Kassab e a Marta. Tomaria umas boas biritas sinucando e filosofando sobre como seria o governo Gabeira no Rio. Seria, pois ele prefeito da Cidade Maravilhosa e Obama no comando do estados do norte da América, só vou acreditar a posteriori. Por enquanto.... Aliás, essa seria uma outra crônica interessante: digredir sobre essa (boa)novidade, o Obama; afinal, a utopia não pode acabar, certo? Principalmente, em se tratando de política quentinha vinda dos States.
E a seleçoca do Dunga, hein? Excelente para condimentar um papinho regado a cerveja, uísque ou conhaque, num final de tarde de sexta, ouvindo batuque nas mesas e vendo desfile de beldades num barzinho qualquer da Vila Madalena, do Bixiga, do Tatuapé, em qualquer lugar.
Uma outra crônica, falar desse demente que faz dois dias mantém uma ex-namorada presa no apartamento em Santo André. Qual é o nome do moleque? O da menina é Eloá, gravei bem; lembra a senhora Jânio Quadros. Será que foi o pai da garota que deu esse nome a ela? Culto à vassourinha janista? Se for, azar duplo dessa menina; ter uma pai retrô e um fã doido total.
Fiquei vendo uma foto dela hoje no jornal, o flagrante de um grito à janela na tarde de ontem, e me peguei refletindo sobre a idiotice da posse. Ainda tem gente que acredita que a conquista do amor pode ser pela força. Que força, cacete? Amor é uma conquista de todo dia. Ou ele acredita que depois de apontar uma arma pra ela, o caso ficaria resolvido e ela se descobriria apaixonada novamente, e viveriam juntos até o "final feliz"? Ao contrário do que nos faz crer o pensamento coletivo popular, são os homens que têm uma certa facilidade em acreditar em historinhas da carochinha, comp príncipes, dragões, carrruagens e princesas. Na maioria das vezes, porém, agem como sapos.

Voltando à estaca zero, estava sofismando sobre o que escrever. como escrever. Se escrever. Tranquei-me por algum tempo ouvindo Beatles ("Abbey Road"), e depois Mahler (1ª e 4ª Sinfornias"). Na meditação, acabei por desistir e fui fuçar os rascunhos pra ver se tinha algo que fosse o start de um texto. Definitivamente, hoje não.

Resolvi então escrever sobre meus filhos. Tenho dois de um casamento estável, e o maior, aos 13 anos, está ganhando abraçando uma "independência" que não sabe se existe, nem onde está, tampouco como usar. Mas agora vejo que já é tarde, e isso vai ter que virar outro texto.

E o que vocês estão lendo fica sendo o rascunho sobre a impotência do homem diante da falta de inspiração. Transpiração ajuda, mas, sozinha, soçobra.
(Só para informação, eu não bebo nada alcoólico, tá? As citações etílicas são só pra estilizar o texto)

Dubiedades

Estamos cercados pelo dúbio: claro/escuro, sol/lua, mãe/pai, marta/kassab, osama/bush, amada/amante. Essa certeza, tão reta quanto pontaria de de um ianomâmi em caça na floresta, fez-me pensar um pouco sobre a atividade humana. Vem daí o primeiro paradoxo: o que é humano?

O homo sapiens, ascendente do virtualman (não esqueçamos, por favor, que desconhecemos o que nos espera no futuro, mas, além dessa certeza, também podemos asseverar que o futuro é um cheque ainda sem fundos, (as)sustado pela liquidez do presente, e com assinatura indecifrável), desde sempre serviu-nos de culto para cultuarmos um passado balizador e simbólico.

Tínhamos a pedra, mas não a roda. Hoje temos o domínio do ciberespaço, mas não temos o domínio do espaço. Sequer sabemos o que há ness espaço. Tínhamos o grito como expressão, hoje falamos seis idiomas, entendemos o alfabeto dos surdos-mudos, praticamos esperanto e outros quetais. Orientávamos pelo sol (e sua sombra sobre a copa da árvore), e hoje temos moderníssimos gps.

De onde provém a questão da dubiedade, então? Simples, das dúvidas que suscitam ao longo do pensar o homem. Se Deus tem o diabo como inimigo, se Deus tem o homem como seu complemento, se Deus tem anjos como exército, então, pra que serve o pensamento humano? Precisamos de fato "pensar"? Pra quê? Nossa extasia não seria simplesmente comer, defecar, gozar e frutificar?

Desconfio muito desse "humano" que foi certificado a nós. Isso tem servido para práticas de sentido único (aí está outro sentido da dubiedade), dominação, politicagens (no seu sentido mais perverso), e divisões. a prática da vida tem me ensinado muito, inclusive a beleza da doação. Mas ela só faz sentido quando contextualizada no sentido do capitalismo ("doação" seria uma espiritualização - ou a parte frágil - do ato de lucrar), e da prática existencial como um todo (disse o apóstolo Paulo na carta ao aos corinti(an)os que "permaneçam pois a fé, a esperança e a caridade, e desses o maior ato é o de caridade").

Será que eu poderia ser mais inumano mas ainda amando meus filhos, minha mulher, meus amigos, as árvores, as águas e os animais?

Quero fazer uma última colocação: acho que o maior duplo de mim, sou eu mesmo. Tenho sido meu inimigo declarado em circunstâncias diversas. Quando aprender a me domar melhor, acho que serei um novo homem, mais amoroso, moderno e prático. Menos patético.

7.10.08

Eleições - Considerações Últimas

Pela primeira vez - ó vil bairrismo confesso - queria ser carioca. Carioca da gema. Poxa, ver o Gabeira no 2º turno das eleições para prefeito municipal dessa cidade linda que foi paulatinamente vilipendiada pelo(s) poder(es) público(s), é de uma renovação espiritual não descritível nesse texto.
Estou feliz! Acompanho o Fernando desde muito tempo e acho ele de uma sensatez, de uma serenidade, de um equilíbrio, que a classe política brasileira não tem. Brasileira não, pois, genericamente falando, todo político é fanfarrão em qualquer lugar do mundo(vide Bush, Chavez, Putin, Berlusconi, Fidel e tant´outros por aí). É que aqui nessas plagas há uma redundância dos aspectos que os torna mais surreais, com seus sorrisos evanescentes, seus abraços cronometrados, suas promessas rocambolescas, e aí eles viram uns monstros iguais a esses infláveis de postos de gasolina, que ficam ao vento assombrando as crianças nos carros, enquanto os pais abastecem. E os bonecos, caricatos, sorriem com dentes de plástico, com alma de plástico, um aceno de plástico, para crianças assustadas nos bancos de trás. Isso quando uma mãe incauta não os deixa no banco da frente mesmo... Vai ver que é de medo.
Esses tais políticos de plástico são o oposto do Fernando Gabeira que, lúcido, não nega seu passado de agitador social, tampouco fixa seus discursos unicamente em tripés básicos como saúde-segurança-educação, que é o mantra rezado por 100 entre 99 candidatos. Sua história, rica em fatos, e seus discursos pontuais, dizem muito ao eleitor que procura transparência e clareza num mundo de conversas opacas, que é o mundo dos gabinetes e dos palanques. Quando o mundo sequer cogitava, ele já nos asseverava sobre a necessidade de trato dos nossos excedentes no meio-ambiente. E quando isso se tornou moda, avançou e foi discutir a sexualidade e consequente rearranjo do homem na sociedade moderna. Afinal, a falocracia vai morrendo aos poucos e precisamos encontrar novos parâmetros para nossa atuação sexual. Quando todos repetiram frases prontas de combate às drogas, ele procurou saídas para um melhor uso da planta e suas substâncias. Nada de conversas jogadas fora, tudo em Gabeira é carregado de intenção e sentimento, social e coletivo; respeito às individualidades, humor e conhecimento.
Acho que seria a pessoal ideal para gerir essa cidade, que parece aquelas mulheres que nascem lindas e quando grandes, estragam-se no excesso de cosméticos. O Rio de Janeiro está precisando ficar zen. E desconfio que Fernando Gabeira poderia ser o grande maestro para reorganizar essa orquestra por ora tão caótica. Acho...
Mas duvido que vão deixar.

2.10.08

O Cão Quer Morrer

Hoje, como ontem, como sempre, tomei café na rua. Uma mania antiga que tenho, a de tomar muito café, em qualquer lugar, a qualquer hora, sem respeitar muito os critérios de asseio exigidos pelo meu estômago. É uma coisa meio autômata e anômala. Quer dizer, verdade seja dita - e tem que ser "bendita"! - às vezes, como hoje, bebo café em casa, mas esse foi curto, rápido, com um dessabor de requentado. Então... tome-lhe café da padaria, de barraquinha, ou de "donas Marias" diversas em esquinas ou filas diversas. Rerrequentados ou - pior ainda! - mornos.
Pois bem, eu e o Dailor Varela, poetaço, ele um dos genitores do poema-processo na década de 1960 em terras potiguares; o dito está passsando uns dias em meu casebre, aqui na província de Sampalândia; eu e ele fomos ontem visitar o Sacha Arcanjo, cantador dos bons, músico e poeta mineiramente baiano, estabelecido nas terras de São Miguel Paulista, aqui, bem "pertinho" (de novo mineiramente falando) de casa , na zona leste paulistana. Então, como eu tava dizendo, fomos visitar o Sacha. O Dailor dirige um jornal no Vale do Paraíba, SP, "O Grito", e queria uma entrevista com esse baiano incandescente e bem-humorado, letrista que honra a língua pôrtugo-brasileira, com seus achados poéticos ricos e sutis.
Conversa vai conversa vem, a entrevista rolou, eu aproveitei e filmei, e daí fomos tomar um cafezinho lá na esquina da av. Nordestina, numa padariazinha dessas comuns em vilas e bairros. Estava chovendo pacas. Tomamos uns vanilas e voltamos em papo animado. Mas eis que quando saía porta afora, tropecei num autêntico viralata. Branco amarronzado, cara pidona e triste mas esperto o suficiente para roubar o lanche de algum incauto distraído, ele olhou-me inquiridor, como a exigir desculpas, que, obviamente, pedi no olhar. Depois de atravessar a avenida, olhei para trás e os olhos dele me seguiam entre grossas gotas de chuva.
Esqueci o caso logo em seguida quando voltamos pra casa . Hoje cedo acordamos, eu e o Dailor, enganamos o estômago e fomos nos compor com um cafezinho básico no terminal Itaquera. Àquela hora, já umas nove e pouco, não tinha mais aquele frenesi de horas antes, quando sequer conseguimos andar no meio da multidão compacta, acelerada para pegar metrô, trem, lotação ou ônibus, e sumir na massa férrea em direção ao trabalho.
Descemos da van, achamos uma lanchonete não muito aprazível mas com poucos fregueses, e pedimos dois cafés. As balconistas conversavam animadamente sobre algum show no próximo final de semana e tive que repetir o pedido mais de uma vez. O café veio intragável. Biquei e despejei o resto no tambor que tinha ao lado. Não sei para que servia, mas eu queria evitar qualquer tipo de argumento por não ter tomado aquele líquido. Espero sinceramente que alguém tenha me feito o favor de reclamar daquele visgo preto de 70 centavos. Eu, agora, só queria ir embora logo. Iríamos encontrar o jornalista e escritor José Nêumanne em seu escritório, lá na sede da editora "A Girafa". O Dailor queria aproveitar a estadia na Pauliceia e matar a saudade do amigo com quem morou junto nos anos 70 e aproveitar e fazer uma entrevista para seu tabloide.
Não sei para que servia aquele enorme balde de plástico ali ao lado da barraquinha, mas foi lá que lancei o "pretóleo" que, respingando no plástico, acabou por cair no chão, onde foi sorvido rapidamente por um viralata. Branco e amarronzado. Esse filadaputa de cão quer morrer, pensei de relance. Mas o que ficou vivo em minha memória foi o célere salto que deu, para agarrar o copinho antes que caísse no chão. Equilibrista da sobrevivência, ele.

26.9.08

Cinto Verde Para Barriga Cinza

Há muito tempo não passava pela av. Sumaré, ali na zona oeste de Sampa. Lá se vão bem uns dois ou três anos.

O fato é que gosto dela. Tem lá seu encanto num canteiro central onde algumas árvores dezenárias, perfilam-se distraídas, num clima bem bucólico. A qualquer hora do dia e também à noite é possível ver caminhantes, corredores, ciclistas e cachorros concorrendo democraticamente ao seu ar tranquilo. Um cinto verde discreto na gordura cinzenta dessa metrópole.

Passei por ela anteontem cedo, de ônibus, bem rápido. Não sei bem o que me faz sentir-se tão anelado a ela. Será o fato de ligar duas grandes paixões minhas, a boêmia Vila Madalena ao Parque Antárctica? Ou pelo fato de já ter ficado horas a fio em papao descontraído tomando cerveja lá no Jucalemão, com o Levi, antigo parceiro de trabalho e copo? Não sei.

O fato é que desenlaçou um nó em mim o passar por ela nessa manhã ensolarada de uma primavera nascente. Às vezes, sinto uma angústia feliz, bem roseana, quando desfruto dessa condição de vivenciar algo que me entorpece, me transporta para uma dimensão meio inexata, complexa, bem contundente de ser experimentada. Pode ser na leitura de um poema, ouvindo Wagner ou Bethoveen, Miles Davis ou Djavan, Sacha Arcanjo ou Carla Bley. Também acontece de me acometer no meio de um Akira Kurosawa, David Lynch, Fellini ou Joaquim Pedro de Andrade. Outras maneiras são diante de um Brecheret, um Botero, um Vermeer ou Di Cavalcanti.

O fato é que o engenho da vida é evanescente, mas a arte aprofunda os campos sensoriais. Essa experiência com o cosmo, de completa aliteração, é que nos permite enxergar a vida não como uma vitrine esquisitóide e compartimentada. Ela deixa uma outra evasão, permitindo-nos enxergar a vida com os olhos da desrazão, onde pulsa uma infinita vontade de prosseguir, independendo das máculas que o cotidiano gera em nossas peles tão frágeis.

22.9.08

Crônicas Horas

Hoje é segunda. Dia nem ruim nem bom, apenas diferente. Síndrome de Garfield.
Venho de uma noite estranha: dois sonhos justapostos e incompletos e uma insônia cavalar, que me pegou das duas e meia até por volta das seis da manhã. Isso porque tinha que acordar às 6:30h. Como já previsto, perdi hora, compromisso, argumento e bônus. Tudo bem, parto pra outra; fica pra outra.

Queria entender esse negócio de insônia. Ela, que me é uma companheira constante, e tremendamente produtiva, às vezes me agride de uma maneira enviesada e, por que não dizer?, cruel. Pois noites insones normalmente rendem alguns bons poemas, que depois são desbastados com formão e dicionário à luz do dia. Também rendem ótimos filmes, sem interferência de filhos, mulher, testemunhas de jeová, brigas no videogame ou gritos de gol da casa vizinha. Outra coisa legal de noites de "olhos pregados" é a leitura tranquila de um bom livro ou um programa legal(mas não previsto) na tv. Mas hoje não foi assim.

Acordei suado, tentando juntar os remendos dos sonhos que tinha me levado a despertar. Não lembro, ou melhor, lembro-me sim, apenas que num deles(o primeiro?), eu e meu filho pegávamos três pipas sozinhos numa rua do bairro. Só isso, o resto caiu no limbo do esquecimento. Do outro sonho, lhufas; quero dizer zero, nada. O fato é que despertei e não mais dormi. Com um pouco de boa vontade de meus músculos, depois de uma hora e treze(contados!), resolvi levantar, fazendo um esforço insano para não acordar ninguém. Consegui! Fui pra sala. Na televisão, necas de pitibiriba. A tv paga se assemelha à qualquer outro canal aberto em alguns momentos, principalmente na madrugada; seus programas, quando não são reprise enfadonha, são "focados", pontuais; devotados a uma faixa restrita de público.

Sem contar a alopração dos evangélicos que invadiram os canais abertos e "roubaram" mais de 50% da programação dos canais abertos, a partir das 9 da noite.
A cultura televisiva, que era algo que os "crentes" discutiam muito, se era perniciosa ou não, isso há não
mais que uns 25 anos atrás, hoje é obliquamente monoteísta. Quando eu resolver fazer um programa voltado para os ateus, como é que vou ser recebido? A pedradas? Como se sentem os espíritas, os budistas, o pessoal do candomblé nessa história?

Restou-me o consolo de jogar Playstation sozinho, com medo que meus filhos acordassem e dessem um flagra no papai, ali, escondido. Pior que isso, só quando me levantei do sofá, com fome, e assaltei o iogurte na geladeira.

6.9.08

PROPAGANDA É A ALMA DO NEGÓCIO

Está lá na estação Brás, na passagem do trem para o metrô, tem uma tenda com o seguinte comercial:


"Hamburguer: Catchup + Mostarda - Só 1,99
HAMBURGUER GRELHADO NO GEORGE FORMAN"



Acreditem! É verdade!

4.8.08

Ouvindo Jazz

Hoje tá daqueles dias: jazz... aguardando David Lynch em Sampa na quinta e... ah, ver se consigo comprar ingressos a 30 paus amanhã, para ver João Gilberto (será?...) e (quem sabe?) "Roberto Caetano" em show-homenagem ao Tom.
A semana promete...
Ah, e as Olimpíadas lá da China estão aí!

28.7.08

Toda Cultura é Útil (Até a Inútil)

Dia desses, estando na avenida Santo Amaro vindo da zona sul para o centro, fiz a seguinte averiguação: 1) entre a estátua do Borba Gato e a praça Dom Gastão temos mais ou menos 6 km; 2) O mesmo trecho apresenta a "redundância" de 41 semáforos (lembrem-se: são apenas 6 míseros quilômetros); 3) num domingo pela manhã, andando na velocidade estabelecida para a via (60 km/h), temos que parar numa média de nove vezes.
???
!!!

12.6.08

QUE DIA É HOJE - P. 2

Hoje, como todos os outros dias, estou comemorando o dia dos namorados.
Hoje, como em todo o ano, estou comemorando o dia das mães.
Hoje, como sempre, estou comemorando o dia das crianças.

Hoje estou amando o dia de hoje.

Como sempre.

11.6.08

Que Dia É Hoje

Todo dia é dia dos namorados!
Todo dia é de luta contra os preconceitos!
Todo dia é dia das mães, dos pais, dos filhos, dos avós...

Qual será o dia da independência do homem?

10.6.08

Texto de Terceiros - Edhson FM

Este texto também estou sampleando com a devida autorização do autor. Degustem-no!
Etc e Tal - Música

Edhson FM cafeeletrico@terra.com.br

Anos 80: que barulho foi esse

Embora a televisão seja nosso mais abrangente meio de comunicação, pouco tempo perco com essa espetacular invenção, não porque de uns tempos para cá sua programação tenha se tornado tão vergonhosa, mas simplesmente por eu não ter muita paciência para ver o que passa na telinha. Entretanto, recentemente, não resisti à chamada da Music Television, mais conhecida como MTV, emissora para a qual ultimamente tenho olhos e ouvidos sobretudo por causa de um programa de música eletrônica (toda essa comoção dançante que se identifica como tecno, drum’n’bass, jungle, trip hop, entre outros modernosos rótulos sonoros) e por um ou outro clipe de meu interesse que encontro ao "zapear" os canais, para ver seu Especial Anos 80, apresentado num fim de semana de janeiro, afinal, considerando os anos 80 como os mais movimentados de minha vida, eu não poderia deixar de rever algumas das bandas que fizeram a trilha sonora da chamada "década perdida". Quem não perdeu o programa sabe, a lista do barulho –na qual se incluíram as tendências pop, technopop, punk, new wave, new romantic, dark, estilos estes que roubaram a cena com muita moda– é extensa, começando com Every Little Thing She Does Is Magic, clássica canção do grupo britânico THE POLICE, formado por Stewart Copeland, Andy Summers e Sting, nomes pelos quais tenho certo respeito, uma vez que foram eles os responsáveis por eu enveredar prazerosamente pela estrada do rock, não obstante em 1978, quando o trio lançou seu primeiro álbum (Outlands D'Amour), eu, que ainda não me preocupava nem um pouco com o que ouvia no rádio, na vitrola e na tevê, já me familiarizava com o som de Elvis Presley, Johnny Rivers, Creedence Clearwater Revival, Carpenters, Doors, Led Zeppelin, The Who, Black Sabath, Kiss, Queen, Bob Dylan, Peter Frampton, Rod Stewart, Elton John, The Jacksons, Ray Charles, Stevie Wonder, Diana Ross, Marvin Gaye, Al Green, James Brown, Earth, Wind and Fire, Chic, Bee Gees, Tina Charles, Abba, Glorya Gaynor, Donna Summer, Kate Bush, Genesis, Pink Floyd, Kraftwerk e, antes destes e doutros, Beatles e Rolling Stones. Depois, vieram as músicas Our Lips Are Sealed, das meninas da banda THE GO-GO's, que arrastaram os amantes da "nova onda" para as danceterias de todo o mundo; Hungry like the Wolf, do grupo DURAN DURAN, queridinho da senhora Di, ela mesma, a saudosa princesa do País de Gales (aliás, do primeiro álbum da banda –homônimo–, no qual se incluem Girls on Film, Tel Aviv, Careless Memories e a maravilhosa Planet Earth, passando por Rio, do qual, além da faixa de mesmo título, cito My Own Way e a conhecidíssima Save a Prayer, até Seven and the Ragged Tiger, com The Union of the Snake, The Reflex, New Moon on Monday, e Arena, com destaque para Is There Something I Should Know? e Wild Boys, posso falar bem dos new romantics); Rock This Town, do topetudo STRAY CATS; Rock the Casbah, do furacão punk THE CLASH; Town Called Malice, do bem-comportado (ao menos, no visual) THE JAM; Just Can't Get enough, do technopopularíssimo DEPECHE MODE; Don't You Want Me, do ultrarromântico HUMAN LEAGUE; o hilariante clipe de You Might Think, do CARS; Who Can It Be now?, do MEN AT WORK (sem comentários); Back on the Chain Gang, do PRETENDERS, banda da hoje cinqüentona Chrissie Hynde, de cuja maravilhosa voz gostei tanto ouvindo o álbum Learning to Crawl (bem, mas não pense você que Back on the Chain Gang –e, pelo amor de Deus, não me diga que você nunca ouviu essa música– e Middle of the Road sejam as canções de que mais gosto do mencionado disco, não, minha predileta é Thin Line between Love and Hate); This Is the Day, do THE THE (com todas as letras, como seria em português o nome desta banda que, em São Paulo, já foi até sinônimo de danceteria gótica?);
Tainted Love, do SOFT CELL, queridíssimo nosso também por causa da a-do-rá-vel Torch (I'm lost again/ And I'm on the run/ Looking for love/ In a sad song...); Do You really Want to Hurt Me, do CULTURE CLUB (afinal, poder-se-ia falar da perdida década sem mencionar o nome da banda do andrógino garoto George?); Let's Dance, do DAVID BOWIE; 99 Luftballons, ou, se preferir, 99 Red Balloons, da alemã NENA; In a Big Country, do grupo escocês BIG COUNTRY, conterrâneo de minha banda favorita (Cocteau Twins); e Stand, do R.E.M. Fim do especial? Não –music non stop!–, essas foram apenas as músicas para fechar o sábado, pois no domingo a lista se completou com Alex Chilton, do REPLACEMENTS; Burning down the House, do TALKING HEADS (mas bem que eu preferi que o grupo de David Byrne tivesse tocado Once in a Life Time ou Girlfriend Is Better, minhas favoritas do álbum Stop Making Sense); Disco Dancer, do DEVO (fique parado se puder!); One Small Day, do ULTRAVOX; Happy when It Rains, do sombrio JESUS AND MARY CHAINS (cruz credo! quanta microfonia!); The Whole of the Moon, do WATERBOYS; e Here Comes Your Man, do PIXIES, queridíssima "guitar band" deste que lhe escreve. Mas o segundo dia do programa começou com outros sucessos da memorável década, os quais, por eu não saber da continuação do especial, infelizmente, não (ou)vi, como Legal Tender (THE B 52’s), Love Cats (CURE), Girls just Wanna Have Fun (CYNDI LAUPER), Sweet Dreams (Are Made of This) (EURYTHMICS), Relax (FRANK GOES TO HOLLYWOOD), Why (BRONSKI BEAT), How soon Is now? (SMITHS), The Killing Moon (ECHO AND THE BUNNYMEN), The Ghost in You (PSYCHEDELIC FURS), Desire (Come & Get It) (GENE LOVES JEZEBEL), Bizzare Love Triangle (NEW ORDER), Alive and Kicking (SIMPLE MINDS) e Dead Man's Party (OINGO BOINGO). É, grosso modo, até que gostei do especial, que, a meu ver, poderia ter sido bem mais complete, se nele estivessem Kraftwerk, Gary Numan, Art of Noise, Thomas Dolby, Cabaret Voltaire, Blondie, Classix Nouveaux, A Flock of Seagulls, Gang of Four, Missing Persons, ABC, Adam and the Ants, Yazoo, Spandau Ballet, China Crisis, Pink Industry, Xmal Deutschland, Siouxsie and the Banshees, Bauhaus, Love and Rockets, Joy Division, Cocteau Twins, Sundays, Dead Can Dance, Durutti Column, Sisters of Mercy, Anne Clark, Fall, Sugarcubes, Aztec Camera, Style Council, Swing Out Sister, Everything But The Girl, Dream Academy, Prefab Sprout, Tears for Fears e INXS, alguns dos nomes de que tanto tive notícias nos anos 80, seja lendo as revistas Roll, Rock Stars e Somtrês, seja assistindo aos programas Som Pop, Realce e Super Special, seja ouvindo o antenadíssimo Novas Tendências. Completo ou não, na verdade, não seria um programa televisivo que iria matar a saudade que eu e tantos outros temos da querida década.
E é visando a agradar a esses saudosistas e afins que muitas casas noturnas não deixam de reservar pelo menos uma noite especial para o som dos anos 80, como o faz a danceteria paulistana Salamandra (rua Cardeal Arcoverde, 563, em Pinheiros), desde novembro de 2002 endereço do Autobahn (
www.anos80.com.br), projeto musical em que, todo mês (na segunda sexta-feira), os discotecários –oops! DJs!– Marcos Vicente, Omar, Juninho e convidados fazem a festa, tocando os principais sucessos oitentistas, em meio a muitas boas lembranças, entre elas, Cubo Mágico, Atari, sessões de filmes e de clipes e fanzines. Desde 1993 na estrada, o Projeto Autobahn, cujo nome remete ao título de um álbum do grupo de rock eletrônico alemão Kraftwerk, já aportou em vários endereços da capital paulista, reproduzindo muito bem não só a atmosfera musical dos anos 80, mas também o clima de amizade que se iniciou num projeto em que Marcos colaborava entre 91 e 92, o extinto Espaço Harry. Com um endereço assim na agenda, chega de saudade, eu é que não fico em casa grudado na tevê.

13.5.08

Que Dia É Hoje?

Notícias públicas de um privada chamada Brasis: NINGUÉM SABE QUE DIA É HOJE.
Fiz a mesma pergunta a três afrodescendentes, em momentos distintos do meu dia, hoje; e a resposta foi um muxoxo, um dar de ombros e um "sei lá!".
Então, ouvintes e leitores, vamos nos juntar e dar os parabéns aos ocupantes: "Ok, vocês venceram!".
E encerram-se as cortinas.
Até 20 de novembro (quem sabe?).

8.3.08

Texto de Terceiros - Edhson FM

* Este texto estou sampleando com a autorização do autor. Degustem-no!
Et cetera e tal
Edhson FM
Admirador de muitos clássicos do rock e de outros gêneros musicais, embora eu não "curta" a obra do compositor russo Igor Stravinsky (1882–1971) e muito menos dos grandes nomes que enveredaram pela mesma arte que ele (sim, porque não fica bem alguém dizer que gosta da chamada música clássica, mas não ter nada para ouvir nem saber discutir sobre o assunto), desembarcando no começo de uma invernosa estação das flores e pegando o bonde já na décima edição da "Etcetera", carimbo minha estréia nesta revista eletrônica de cultura e arte ouvindo "A Sagração da Primavera", célebre composição que estava em minha mente em setembro de 1993, ano em que eu, sem nenhuma máquina de escrever por perto, (ah, como à época eu sonhei em ter uma Olivetti, Remington, Underwood, qual pudesse ser a marca dessa indispensável invenção com que outrora se escreveu a história de tanta gente!), e minha amiga Vanessa, entre quatro paredes (mas pedi licença à irmã dela, dona de metade do quarto, não sei se também do computador), nos debruçamos, –ela digitando– sobre o primeiro número do meu efêmero fanzine "Creation", cuja edição, desafortunadamente, não passou da terceira, em 95. Entre parênteses, hoje revisor de textos, ofício com que, graças a Deus, ganho um dinheirinho para pagar as contas nossas de cada dia, confesso que, não tivesse a publicação deixado de existir, com certeza, seu título estaria agora aportuguesado para "Criação", visto que, sem querer demonstrar nenhuma aversão a que eu, você, nós, eles, todos, sempre que não houver saída, emprestemos palavras de outros idiomas para ser entendidos (até porque, para o bem ou para o mal, no admirável mundo globalizado a que chegamos, o inglês é a língua que domina todas as esferas do nosso dia-a-dia), o uso desnecessário de estrangeirismos não é lá nada aconselhável a quem se ocupa da crítica desses e de outros vícios de linguagem. Mais: havia até uma seção des-ca-ra-da-men-te chamada My Bloody Valentine" (para quem não sabe, título homônimo de uma banda da gravadora britânica Creation –hum), cuja tradução deste era Minha Querida Valentina, na qual Marina Valentina, uma das musas do editor, e outras convidadas soltavam o verbo. Remonto-lhes algumas páginas da primavera de 93 porquanto foi nessa época que, durante a primeira edição de uma mostra anual de fanzines que eu e o Instituto de Idiomas Yázigi realizávamos em Osasco, vim a conhecer Sandro Eduardo (aliás, não consegui lembrar-me do título da publicação em que o jovem nos revelou seu notável talento de desenhista), que, surpreendentemente, me aparece 9 anos depois chamando-me para escrever numa revista em que ele é um dos editores, a "Etcetera", convite este do qual felizmente não pude declinar, por dois porquês: primeiro, porque simpatizei bastante com o título "Etcetera", palavra esta que, notadamente, se esconde por detrás da famosa abreviatura "etc.", cuja dicionarizada grafia, para quem se atém a detalhes, finaliza-se com o quase imperceptível ponto, cujo "e" da locução (a propósito, "et cetera" –"e outras coisas", "e outros da mesma espécie", "e o resto", "e assim por diante") dispensa vírgula, além de sua tradução, ao pé da letra, falar de "coisas", não de pessoas ("et al."), mas...; e, segundo, por entender a importância de um trabalho independente (estamos falando de patrocínio, sabe?) como este de Sandro "et al.", afinal, como se percebe pelas linhas acima, já trilhei os mesmos caminhos pedregosos dessa gente que não se contenta apenas em consumir a opinião alheia, e se aventura a procurar um meio (seja impresso, radiofônico, televisivo, cibernético, não importa onde) para expressar sua visão do mundo, mostrar o que tem na cabeça. É com esse irrequieto espírito que convido (a) todos para a cada edição da "Etcetera" conhecer um pouco de meus engavetados textos, falando de pessoas queridas, discorrendo sobre coisas que dia a dia não me passam despercebidas, descortinando lugares onde aporto, enfim, contando histórias deste e de outros tempos, convite este, que, a meu, agradará –e muito– a minhas amáveis Marcelina, indispensável companhia de prazerosas discussões jornalísticas e literárias, e Eliane, cuja coerência das palavras notei desde a primeira prosa, afinal ambas são as responsáveis por aconselhar este escrevinhador a pegar suas crônicas e procurar sua turma, talvez por acharem que escrever para nós mesmos não tem lá muita graça.
(Nº 10 - revista virtual http://www.revistaetcetera.com.br/)

9.2.08

Outros Andares








"Em algum lugar na borda entre Itaquera e Guaianases, n´algum dia de dez/2007"




Um Poema de Aricy Curvello

"TUDO"
viver o instante é tudo o
que posso
viver o instante é tudo o
que passa
.
(em, "Mais Que os Nomes do Nada", Editora do Escritor, São Paulo, 1996)
.
Rodapé: Aricy Curvello é hoje um dos grandes mestres da poesia lusófona. Pesquisador e laborador incansável, tem deixado um rastro enorme de amor e lirismo nas praias onde tem fecundado os seus ovos poéticos)

21.1.08

Caminhada - BUENO BRANDÃO (MG) 20/01/2008






Bueno Brandão, aprazível cidade mineira de 12 mil habitantes, dista 170 km da capital de São Paulo, e fica bem na borda do estado, pertinho das cidades que fazem parte do circuito das malhas(Monte Sião, etc). E é pra lá que fui em 19/01/08. Fazer o quê? Caminhar, conhecer suas ladeiras e artesanato e - principalmente - desfrutar de suas famosas cachoeiras. Conheci cinco, de um total que, salvo engano, passa de 20.

Para tanto, um grupo bacana de gente da zona leste paulista, todos caipiras urbanos, nos embrenhamos na mata, desbravando terrenos secos, pantanosos ou úmidos, repletos de cocô de vaca, para poder fruir da beleza renovadora de cascatas d´água que jorram prazer em forma de agá-dois-ó. Foram sete horas de passeio entre fazendas, planaltos, planícies e estradas de terra(lama - tinha chovido no sábado) batida. Paradas, somente para os banhos renovadores e os piqueniques ao lado de lagos naturais. Depois de um desses, cochilei por meia-hora, embalado pelo som mavioso das águas céleres que desciam sobre as pedras. Dormiria 24h ali, se me largassem lá.


Hoje estou cansado, o corpo ainda reclamando o exercício severo, mas sinto-me profundamente abençoado, se é que esta palavra pode ser bem aplicada(e interpretada) aqui.


19.1.08

VELHAS VIRGENS - Que show!

Depois de um show absolutamente rock´n´roll do Shankar, lá pelas duas da matina o Velhas Virgens subiu ao palco do bucólico Kazebre Bar(Av. Aricanduva, Itaquera, zona leste, SP). Para quem está em Sampa, por sinal, e não o conhece, vá! É programa obrigatório para fãs roqueiros, de boa conversa, cachaça das boas e um espaço vivo para iniciantes, iniciados e curiosos em rock´n´roll.

O VV toca um som vigoroso, básico, às vezes tosco, mas totalmente fincado no espírito libertário e libertador do sangue roqueiro.

Saí de lá por volta das quatro e meia, cansado, mas com gostinho de "quero mais", na energia que me sobrava.

18.1.08

DÊSSA & SANDRO - Que show!

Ontem, depois de muitos todavias, poréns e entretantos, enfim consegui fazer uma logística direito, e pude assistir um show da dupla Dêssa & Sandro. Maravilhosos!
Ambos têm peculiaridades muitíssimo individuais que, somadas, tornam o show dos dois irmãos uma experiência única, puro momento de catarse prazerosa para a alma, seja cantando as próprias músicas ou quando sacam um Chico Buarque ou Djavan da cartola(- Cartola? Pôxa, é mesmo, faltou um Cartola no espetáculo deles. Quem sabe na próxima?).
A noite estava um pouco fria, e lá fomos eu e o Edhson FM(um daqueles raros mestres que fazem a gente sentir-se orgulhosos em expressar-se na Língua Portuguesa), curtir um som, trocar umas idéias, bebericar umas cervas(curioso que ele é um dos poucos caras que conseguem me persuadir a tomar uns copos), e... conhecer o trabalho da dupla.
O Bar Abstrato, que fica bem no centro de Barueri, SP, é um espaço bonito, intimista, mas confesso, o leão de chácara que nos atendeu à porta e depois fez as cobranças no momento de ir embora, vou te falar, mermão... quase nos fizeram desistir. Como em todo lugar sempre tem algum estraga-prazer, continuamos no nosso astral... nada iria estragar a noite.

E tudo o mais valeu a pena: A Dêssa tem uma voz cortante, cristalina, de uns agudos expressivos e sensacionais. Seus sambas, especialmente, são do melhor quinhão que se pode curtir, mas ela manda bem em qualquer outro assunto musical, também. Gogó platinado.
O Sandro, que namora a Roberta, ex-aluna e hoje parceira de trabalho, ambos bem frageizinhos de corpo e enormes em gigantismo intelectual; tem uma voz suave, quase bossa-nova. Mas é carismático, simpático e outros adjetivos "áticos". Empunha o violão com classe e tranquilidade. Ele e a Dêssa formam, enfim, uma dupla muito boa, complementar e interessante. Espero ouvi-los em breve, em novas audições.
Mas hoje, sexta, é dia de r´n´r. Dia de ir no Kazebre, Vale do Aricanduva, SP, curtir "Velhas Virgens" e pogar até cansar.
Mas isso é matéria para amanhã ou outro dia.
Inté,