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24.9.13

Entrevista: Adriana Rocha, Mogi das Cruzes, SP (Literatura)


Adriana Rocha, ou Drika para os mais chegados, mulher, artista, loba e encantadora, diz sem afetações que a plenitude em sua vida chegou através da literatura. Seu casamento feliz com as letras permite que tanto possa escrever para crianças quanto uma novela erótica, por exemplo, sem medo de estar balançando os pilares dos acomodados ou dos pudicos. Com esta pequena enquete pudemos descobrir, através das respostas sem rodeio ou floreio, um vulcão cuja lava incandesce tudo ao seu redor. Com vocês essa mulher sem papas nas palavras, Adriana Rocha!

1 - Quem é Adriana Rocha?
Uma carcaça de mulher resistente, onde mora uma menina com espírito libertário.

2 - Como foi que a arte se manifestou em sua vida?
A arte manifestou-se em mim quando eu estava quase morrendo. Estudei enfermagem, era bem casada, estava bem posicionada, mas eu era extremamente infeliz.
Lembranças de infância me fizeram sentar e escrever meu primeiro livro, "Eu te acompanho até a cruz". Nunca mais trabalhei em hospitais, peguei até certo trauma. Nunca mais parei de escrever, nunca mais fui infeliz.
A arte manifestou em minha vida como cura. A arte me salvou, eu queria morrer, bebi e usei cocaína para acelerar o processo, mas a arte me curou.

3 - O que escreveu (e lançou) a partir daí?
Depois de "Eu te acompanho até a cruz", escrevi o roteiro dramático "O drama de Clarissa", os livros infantis "O arranhão” e “O mágico da barraca da feira". Um romance, "Quase tudo bem" (em produção). E, “V de vagina - sexo e romance”, minha primeira experiência com contos eróticos. Fora esses tenho uma comédia-romântica, publicado no Wattpad para leitura gratuita, “20 dias para encontrar um homem rico”, e no mesmo site, com mais de 5000 leitores, “30 dias para esquecer um grande amor”.

4 - O que você gosta de ler? Assistir? Ouvir?
Gosto de ler autores nacionais, não que não leia outros mas dou preferência aos nacionais, principalmente os autores regionais. Conheço muitos, curto todos, na verdade só não curto muito romance policial, mas isso não significa que uma hora dessas um autor pode me conquistar.
Eu também não curtia ficção, hoje em dia curto muito. Não curto muito TV, mas até curto algumas séries, como “Gray’s Anatomy”, “Desperate Housewives”, “The Big Bang Theory”; alguns seriados como “Queridos amigos”, “Anos Dourados”.
Novela eu detesto, não consigo acompanhar, nem pretendo exercitar isso. TV me dá sono.
Filme pra mim tem que ser no cinema, só lá não durmo no meio da trama. Mas prefiro teatro, gosto de ver gente atuando na vida.
Música: sou do rock, amo MPB, mas gosto de tudo, tudo mesmo, outras culturas musicais, menos o funk atual. Meu ouvido não é penico.

5 - Lendo os títulos de seus livros (excetuando-se os infantis), tem-se a impressão de um deboche com os clichês da autoajuda. Como você "batiza" os seus filhos?
Eu “batizo meus filhos” kkkkkkkkkkkkk gostei disso, seria... "Simples assim"

6 - Normalmente, como surge um "tema" para você? E como você o desenvolve depois? Escolho temas que incomodem os religiosos, os preconceituosos, os arrogantes, pseudossábios. Desenvolvo as histórias me misturando com a galera vítima de preconceito, putas, loucos, músicos e poetas etc.

7 - Nesse ativismo independente, o que você tem visto por aí que julga como relevante?
GENTE!!! Que acredita em seus sonhos.

8 - Você parece ser também daquelas que, como eu, às vezes são “acordadas” às 3 da manhã e não conseguem dormir de novo enquanto “aquela idéia” insistente não vira uma história, ou um poema, ou uma crônica...
Víxi, às vezes acordo pra ir ao banheiro e as idéias fervem na minha cabeça, enquanto não escrevo ou anoto tudo o sono não volta, adoro.

9 - O que vem planejando para o futuro? Para onde apontam seus próximos passos?
Não sou muito de criar expectativas e planejar, gosto de escrever, continuo escrevendo para a revista "Mulheres que Comandam" e para o jornal "Rádio Revista". Não tenho pressa com meus projetos pessoais, mas não paro de criá-los e trabalhar em cima deles, sou incansável e às vezes “indormível”. Quando concluo uma obra, tenho a sensação de missão cumprida. É isso que eu queria fazer, fiz e me sinto realizada.
Viajar, me endividar no cartão com passagens aéreas e hotel para pagar status de escritora, pagar editora para aparecer na mídia (que não aparece) não é minha praia (mesmo porque não tenho), quero só escrever meus livrinhos, produzir, vender e pagar minhas contas. Não sinto necessidade de fama e glamour, sucesso eu já tenho, sou uma mulher independente, tenho 4 filhos e muitos amigos, isso pra mim é sucesso. Vejo nessa trajetória, autores que são infinitamente melhores que muitos que têm livros publicados, fico com os melhores, hoje vou menos às livrarias, peço livros e vou a lançamento de novos autores, especialmente os regionais.

10) Agora, as perguntas que, se você não quiser, não precisa responder: nasceu onde, tem quantos anos?
Nasci aqui em Mogi das Cruzes mas morei 12 anos em São Paulo. Voltei (o bom filho à casa torna rs). Tenho quatro filhos, Elson 24 anos, Caio 20, Ana Paula de 18 anos e meu caçula, Matheus, de 10 anos. Eu tenho 40 no RG, mas 29 pra sempre kkk.

11) Se quiser, faça a(s) pergunta(s) que não fiz mas gostaria de ter respondido. E - claro! - responda-a também.
Pergunta: “É complicado ser escritor, que dica dá as pessoas que gostariam de ser escritores?”
Resposta: Não há nada complicado em desenvolver um dom, tenho plena convicção que escrever é um dom, fica complicado quando você espera que esse dom te dê dinheiro e fama, escrever é algo que faço porque amo, tenho coisas escritas que nunca publiquei, escrevi para eu mesma ler... Gosto quando se identificam com minha escrita, gosto de elogios – quem não gosta? – isso também me impulsiona, mas meu objetivo principal ao escrever é, ME fazer feliz.
A dica que eu dou a quem quer ser escritor é: trabalhe e escreva. Se acha que vai ficar rico escrevendo procure outra profissão, porque pode não acontecer nada além da satisfação pessoal, o que acho muito bom.


fotos: arquivo pessoal - Adriana Rocha

6.9.13

Bons tempos, aqueles - IV (Lisabi)

(Durante todo o ano de 2011 fiz, com o pessoal do Coletivo Ounão, a cobertura colaborativa para o Circuito Fora do Eixo no projeto Cedo e Sentado, no Studio SP. Foi uma experiência visceral e de troca intensa de energia e aprendizado in loco. Esta noite retratada abaixo, por exemplo, foi adrenalina a mil, catarse total)



Cedo e Sentado com Lisabi, Bomb e Merda

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Por.                                                                                                                  
Escobar Franelas/Coletivo Ounão


O projeto Cedo e Sentado, do Circuito Fora do Eixo, trouxe para o Studio SP nessa terça, 29 de novembro, o grito do rock´n´roll em sua forma mais primal. As atrações foram a dj Tata Ogan, a banda Lisabi (SP), a “banda de um homem só” Bomb The Music Industry! (EUA) e a apocalíptica Merda (ES).
A Banquinha Fora do Eixo também estava lá, a cada dia mais sortida, com seu arsenal de cd, dvd, camisetas, botons, flyers, hq e livros. Para completar, os bares que alimentam a química etílica da juventude não rancorosa, de bem com a vida, e as projeções dos shows diretamente no telão da casa, feitas pelos vj do Clube de Cinema FdE.
O septeto (no final, um octeto, com mais uma convidada no palco) Lisabi foi quem primeiro ficou incumbido de encher o palco de porrada sonora. Formado por Max Maiken e Rodrigo Veta (sax), Gabriel Slenes (trompete), Seb Piraces (bateria), André Cardoso (baixo e vocais), Matheus Fattori (guitarra e vocais), e Mateo Piraces (guitarra, teclado e vocais), o Lisabi fez um a introdução aterradora, com muita atitude (e som) rock´n´roll, não deixando pedra sobre pedra. O público, inflamado, ainda viu Juliana Strassacapa subir para acompanhá-los nos vocais. Curtiu o quanto pode com pulmões e pernas o show catártico. Confira na integra
Fonte: CasaForadoEixo