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28.1.17

E-mail com considerações sobre o romance "Antes de Evanescer"

"Antes de Evanescer" exposto com outras obras durante a Fanzinada (Santo André, SP, out/2016) - foto EF

Depois de ter remetido meu romance "Antes de Evanescer" para uma leitora refinada e muito sagaz, eis que recebi como contrapartida um e-mail muito generoso com suas apreciações sobre o enredo. Transcrição feita do original, sem alterações de conteúdo, após a aprovação da autora. Deixo aqui o meu agradecimento público pelo carinho e atenção. 


"Oi Escobar!

Li o livro e deixo aqui algumas impressões pessoais acerca da obra. Claro, que não é nada novo, pois creio que você já tenha lido ou ouvido várias alusões à obra e sua narrativa intensa e visceral, que acomete o leitor de forma inquietante.
Esta estória, como você bem frisou, tem um pano de fundo, algo que nos afligiu em meados de 2006, aqui em SP, ataques foram prometidos e se insurgiu o medo, o pânico tomaram conta da cidade mais poderosa do país, e nos municípios da Grande SP, devido a ameaça do PCC. Um horror viver assim!
No início da narrativa, você nos brinda com Léo (um deles), rapaz descobrindo o mundo e se descobrindo, algo que mexe com o leitor. A leitura flui de forma agradável e muito acelerada na narrativa que você, magistralmente, constrói.
Quando acontece o sequestro, eu fiquei sequestrada, acho que foi isto que você quis promover ao leitor, uma caminhada na vida de um adolescente e de repente, nos vimos jogados num calabouço de emoções e conflitos, onde o que se consegue visualizar é apenas um vulto inquietante, que alucina e convulsiona, nos meandros do medo e agonia.
Confesso que à medida que lia fui me sentindo rendida da situação, o desespero, a dúvida, a suspeita, tudo isto misturado a emoções difusas, rompantes de desejos e lembranças tênues e profiláticas para aquele momento.
Teve um momento da leitura que tive que parar e pegar um livro de poesias pois o sofrimento estava por demais exacerbado, eu quando leio ou assisto algo que me choca, fico muito emotiva, e assim foi na leitura.
Não tinha como não ler, e você de forma incrível consegue transfigurar a situação, captar o leitor com sua cruel e intensa realidade, e jogá-lo no abismo de medo e angústia.
Creio que você deve ter lido o livro Angústia, do King, ou assistido o filme Louca Obsessão, que foi baseado no livro, então Escobar, é aquilo uma palavra resume o sentimento que senti: angústia.
Uma coisa que ficou muito boa e você soube tirar proveito foi a questão da perda da liberdade, pois quando perdemos algo, seja o que for, isto nos incomoda, traz dor e sensação de descrédito e ali, você na personagem elencou muito bem as fases do luto pelas quais passava Léo. Ele ficou aturdido, claro, quem não fica, e depois foi passeando pelas fases da Negação, Raiva, Barganha, Depressão até a Aceitação, fez de tudo e num vaivém intenso de emoções e lágrimas, onde sente-se profundamente a dor da personagem e sua entrega ao desespero.
Escobar, acho que falar de você é complicado, pois seu esmero na construção textual repercute de maneira ímpar nos conteúdos emocionais do leitor, esta é uma facilidade que você tem e sabemos, é nata.
Adorei o livro e veja você, iria escrever umas linhas quase fiz outro livro. eu me empolgo e vou escrevendo.
Mas o livro merece todos os créditos e você tem esse dom de escrever e quer queira, quer não, é talentosíssimo com as letras, e a estória ficou um profundo mergulho na vida humana com suas implicações sociais, emocionais, sexuais e religiosas. De fato, ler-te é caminhar numa estrada de tijolos amarelo e de repente levar um tombo e cair de cara no chão, acho que é bem isto.
Um deleite acompanhar sua incursão neste mundo tão vasto e complexo da literatura .
Obrigada pela chance da leitura.
Lilian Vargas"

2 comentários:

Lilian Ferraz disse...

OI Escobar!Faço votos que suas empreitadas literárias/poéticas se ramifiquem no mundo afora e que um dia,possas, olhar para trás e dizer, valeu a pena escrever o que a mente inquieta ditava e coração aventureiro induzia.Boa sorte.Obrigada pela epígrafe tão carinhosa.Abraços

Lilian Ferraz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.