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1.1.26

Um textículo: "ano-novo"

o que será o novo ano?
é novo?
ou um enigma linguístico?
novo enquanto envelhecemos?
enquanto repetimos as mesmas mentiras
prometidas ao velho ano-novo
este que está terminando?
o que será ano? esse acúmulo de meses, dias
horas, minutos, segundos e outros espaços
que ocupamos no vácuo do tempo?

às vezes fico olhando as pálpebras esgarçadas
desse tempo (aliás, o que é tempo?)
será que o ano de astronautas é igual ao de poetas?
será que o novo para um bebê
é diferente do do vovô caduco?
o  ouro de um ourives tem o mesmo valor do de um ladrão?
cientistas seriam cientistas se errassem menos?
um ano novo é igual a um novo ano?

nesse momento olho o relógio parado na parede
sem ele, o novo virá?
o velho irá?
o relógio, essa engrenagem feita de
vidro opaco, ferro oxidado
plástico mumificado
poeira anestésica
esse relógio me encara e desdenha:
a vida, meu caro, pulsa
com ou sem sua sábia filosofia.
recria, escobar: tudo que não é
pode ser que vire poesia.
e então o espetáculo de fogos artificiais
inaugura o céu




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